Milton Ribeiro, ex-ministro da Educação, é preso em São Paulo

06/22/2022

05:29:27 PM

Geral

Ex-ministro da Educação do governo do presidente Jair Bolsonaro, Milton Ribeiro foi preso pela Polícia Federal nesta quarta-feira (22), em Santos, no âmbito de uma operação, batizada de Acesso Pago, que investiga a prática de tráfico de influência e corrupção na liberação de verbas do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), órgão ligado ao Ministério da Educação.

A prisão de Ribeiro foi determinada pela Justiça por causa de um suposto envolvimento em um esquema para liberação de verbas do MEC. O ex-ministro é investigado por suspeita de corrupção passiva; prevaricação (quando um funcionário público 'retarda ou deixa de praticar, indevidamente, ato de ofício', ou se o pratica 'contra disposição expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal'); advocacia administrativa (quando um servidor público defende interesses particulares junto ao órgão da administração pública onde exerce suas funções); e tráfico de influência.

A investigação envolve um áudio no qual Ribeiro dizia liberar verbas da pasta por indicação de dois pastores, Gilmar Santos e Arilton Moura, a pedido de Bolsonaro. "Foi um pedido especial que o presidente da República fez para mim sobre a questão do [pastor] Gilmar", disse o ministro no áudio.

Alguns prefeitos também denunciaram pedidos de propina – em dinheiro e em ouro – em troca da liberação de recursos para os municípios. Milton Ribeiro disse que pediu apuração dessas denúncias à Controladoria-Geral da União.

Ribeiro já havia prestado depoimento à PF no final de março, quando confirmou que recebeu o pastor Gilmar a pedido de Bolsonaro. No entanto, ele negou que tenha ocorrido qualquer tipo favorecimento.

Relembre o caso

O inquérito foi aberto após o jornal "O Estado de S. Paulo" revelar, em março, a existência de um "gabinete paralelo" dentro do MEC controlado pelos dois pastores. Dias depois, o jornal "Folha de S.Paulo" divulgou um áudio de uma reunião em que Ribeiro afirmou que, a pedido de Bolsonaro, repassava verbas para municípios indicados pelo pastor Gilmar Silva.

Após a revelação do áudio, Ribeiro deixou o comando do Ministério da Educação.

Registros do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) apontam dezenas de acessos dos dois pastores a gabinetes do Palácio do Planalto.

'Cara no fogo'

Em vídeo, Bolsonaro chegou a dizer que botava "a cara no fogo" por Ribeiro e que as denúncias contra o ex-ministro eram "covardia" (assista abaixo). Já nesta quarta, questionado sobre a prisão do ex-ministro pela PF, Bolsonaro afirmou que Ribeiro é quem deve responder por eventuais irregularidades à frente do MEC.

"Ele responde pelos atos dele", afirmou Bolsonaro em entrevista à rádio Itatiaia. O presidente disse ainda que "se a PF prendeu, tem motivo."

Pastor suspeito de participar de gabinete paralelo do MEC cobrou fiéis por reforma em igreja horas antes de operação da PF; vídeo

O pastor Gilmar Santos, suspeito de participar de um gabinete paralelo do Ministério da Educação (MEC), cobrou fiéis por uma reforma em uma igreja de Goiânia horas antes de ser alvo de uma operação da Polícia Federal (veja vídeo acima). A ação resultou na prisão do ex-ministro da Educação Milton Ribeiro, na manhã desta quarta-feira (22).

A TV Globo apurou que os pastores Gilmar Santos e Arilton Moura também foram detidos pela polícia.

A fala de Gilmar Santos aconteceu durante um culto no Ministério Cristo para Todos, em Goiânia, e foi transmitida pelas redes sociais do pastor na noite de terça-feira (21). Antes de começar a pregação, ele pediu que os religiosos contribuíssem com duas parcelas de R$ 250 ou R$ 500 para ajudar com a reforma da fachada do templo.

“Estou pedindo em nome de Jesus que os irmãos que puderem, no término do culto, dizerem ‘eu posso, eu posso’. Divida lá em duas parcelas”, disse o pastor durante um culto.

Em seguida, sugeriu que, quem não tivesse condição de contribuir com R$ 250 ou R$ 500, desse duas parcelas de R$ 200 ou R$ 100.

"A Bíblia diz o que? Cada um contribua segundo as suas posses", completou Gilmar.

Antes de pedir contribuição para a obra, o pastor disse, durante a pregação, que a geração atual é "sofrida e esbofeteada" e citou como alguns dos motivos a pandemia e a cesta básica cara.

"Nós somos uma geração sofrida, ferida, castigada, esbofeteada. Nós somos de uma geração que enfrenta uma pandemia, que enfrenta a aquisição de uma cesta básica muito cara", disse.

Operação da PF

A TV Globo apurou que os pastores Gilmar Santos e Arilton Moura são investigados por atuar informalmente junto a prefeitos para a liberação de recursos do Ministério da Educação.

O nome de Gilmar foi citado por Milton Ribeiro em áudios divulgados em março. Nas gravações, o ex-chefe do MEC indica que a prioridade de repasse de verbas seria ditada por dois pastores, a pedido do presidente Jair Bolsonaro.

Depois, novo áudio do Ministério foi divulgado negando os favorecimentos. Na época, o religioso negou participar de "gabinete paralelo".

A TV Anhanguera tentou contato com as defesas dos pastores Arilton Moura e Gilmar Santos, na manhã desta quarta-feira, mas não obteve resposta.

Fonte: G1

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